"O xamã andino (paqo) trabalha com a mesa cerimonial, os apus e a folha de coca. Conheça seu papel, os três mundos e o caminho de cura pelos Andes."
O xamã andino, chamado de paqo ou pampamisayoq, é um especialista ritual que recebeu seu dom por meio da experiência, dos sonhos e da iniciação. Sua mesa cerimonial não é uma mesa física: é um campo energético tecido com incenso, coca e orações, onde a cura se desenrola.
Na cosmovisão andina, o universo se divide em três mundos: Hanan Pacha (o mundo superior das estrelas e espíritos), Kay Pacha (o mundo de cá, de pessoas e natureza) e Ukhu Pacha (o mundo interior dos ancestrais e da terra). O xamã viaja por esses mundos em estado de conexão.
A folha de coca é o instrumento central da mesa. O paqo a "lê" para diagnosticar, a oferece para pedir permissão e a compartilha para selar acordos. Sem coca não há cerimônia: ela é a mãe que permite o diálogo com o sagrado.
O paqo trabalha guiado pelos apus e pela intenção de restaurar o equilíbrio. Não impõe sua força: ele a conduz. Seu papel é acompanhar o buscador em um processo de cura que toca corpo, alma e comunidade, porque nos Andes a pessoa se cura em relação.
Participar de uma mesa cerimonial é uma experiência profundamente transformadora. Abre uma porta para uma compreensão mais ampla de si e do mundo, e lembra que a cura verdadeira é um caminho compartilhado.
Os três mundos da cosmovisão andina
Hanan Pacha, Kay Pacha e Ukhu Pacha coexistem e se interconectam. O xamã andino aprende a atravessar esses planos para trazer cura e equilíbrio ao mundo visível.